Ela acordou no meio da noite assustada, suando muito e com o
coração batendo muito forte.
Sentou-se na cama, respirou fundo e aos poucos seu corpo parava
de tremer.
Ela não lembrava do pesadelo que havia tido. Ainda bem, pois
devia ter sido horrível para ter acordado descontrolada daquele jeito.
Foi até a cozinha e tomou um pouco de água com açúcar.
Quando voltou para o quarto, parou na porta.
Olhou para a cama que estava desfeita, o cobertor jogado
para o lado e os travesseiros fora do lugar.
Ela ficou parada ali olhando aquela cena, como se já tivesse
tido aquela sensação antes: a luz fraca que vinha do abajur, o tic-tac do
relógio, a roupa dobrada na cadeira.
Lembrou-se do medo no meio da noite, de suas pernas tremendo
ao ir até a cozinha pegar um copo d’água e do alívio ao voltar ao quarto.
Mas havia uma diferença.
Havia alguém deitado na cama dormindo profundamente.
Ela podia lembrar que ele estava deitado de bruços,
segurando o travesseiro e que respirava pesadamente.
Era essa a hora da solidão.
Ela não queria lembrar para não sentir saudades.
Mas o pensamento é algo que não se controla e quando deu por
si, já estava de volta ao tempo em que ele fazia parte de sua vida.
Ela era mais feliz?
Não sabia.
Mas a felicidade baseada na presença de outra pessoa é algo
muito delicado. Pode desaparecer e se transformar.
Pode passar de sonho a pesadelo. De doces lembranças a
memórias amargas.
E ela geralmente esquecia os momentos ruins. Só conseguia se
lembrar dos bons momentos, o que é uma bênção e uma maldição.
É uma bênção quando se pode esquecer do medo e uma maldição
por esquecer o que não deveria ser esquecido nunca.
Esquecer o medo era perigoso em certas situações. O medo sempre
a preservou e a fez evitar situações de risco.
Mas ela correria o risco para tê-lo novamente ali consigo
mais uma vez.
Assim, no próximo pesadelo, ele a abraçaria novamente e lhe
daria esperanças que o próximo sonho poderia ser muito bom.

Nenhum comentário:
Postar um comentário