terça-feira, 13 de setembro de 2011

Guerra é Guerra


Agora a novidade sobre os conflitos na Líbia, são as atrocidades cometidas pelos rebeldes.
Os jornais comentam o fato de os rebeldes que estão lutando contra o regime de Muamar Gaddafi, estarem sendo acusados por Organizações Internacionais de Direitos Humanos de torturarem, matarem a sangue frio e lincharem soldados fiéis ao ditador.
E então eu me pergunto:
“E qual a surpresa disso???”
Por um acaso, alguém ainda tem ingenuidade suficiente para achar que porque um povo está lutando por liberdade e democracia os crimes de guerra não são cometidos?
As pessoas matam até em nome de Deus, quanto mais para se verem livre de um opressor que acabou com a vida de milhares de pessoas em décadas de ditadura.
Alguém acredita que há somente os “mocinhos” e “bandidos”?
Até Hollywood já retrata filmes de guerra de forma diferente.

Até onde entendo, a maioria das pessoas que pegam em armas para conseguir lutar contra um regime, é tão violenta quanto as pessoas que estão no poder.
Num conflito armado não existe certo ou errado.


É um conflito armado, então, armas serão usadas, inocentes e culpados serão sacrificados a sangue frio.
Muitos dos soldados que lutam não têm preparo para sua missão e sentem-se poderosos com um rifle nas mãos e acham que podem tudo, assim como seus opressores faziam.
Esses rebeldes têm anos de fúria contida. Perderam seus amigos e familiares para um regime déspota que torturava e matava quem ousasse contestar, ou simplesmente pelo fato de estar no lugar errado e na hora errada.
Crimes de guerra acontecem em tempos de guerra, não importa quem está de que lado.
 

A Convenção de Genebra tenta impor algumas regras que são inúteis, pois quando a guerra eclode, não há códigos de honra nem compaixão. Há somente ódio, medo e desespero.

E o homem costuma ficar cego, surdo e mudo diante da violência e do desejo de vingança.
(Júlia Bellini)
(Texto publicado no Painel do Leitor do jornal Folha de São Paulo em 14/09/2011) 

Um comentário:

  1. Oi Júlia, seu texto ficou ótimo e sobretudo imparcial. Parabéns por mais uma edição na Folha de São Paulo!
    Um abração.
    Ismael Luz

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