Agora a novidade sobre os
conflitos na Líbia, são as atrocidades cometidas pelos rebeldes.
Os jornais comentam o fato de os
rebeldes que estão lutando contra o regime de Muamar Gaddafi, estarem sendo
acusados por Organizações Internacionais de Direitos Humanos de torturarem,
matarem a sangue frio e lincharem soldados fiéis ao ditador.
E então eu me pergunto:
“E qual a surpresa disso???”
Por um acaso, alguém ainda tem
ingenuidade suficiente para achar que porque um povo está lutando por liberdade
e democracia os crimes de guerra não são cometidos?
As pessoas matam até em nome de
Deus, quanto mais para se verem livre de um opressor que acabou com a vida de
milhares de pessoas em décadas de ditadura.
Alguém acredita que há somente os
“mocinhos” e “bandidos”?
Até Hollywood já retrata filmes
de guerra de forma diferente.
Até onde entendo, a maioria das
pessoas que pegam em armas para conseguir lutar contra um regime, é tão
violenta quanto as pessoas que estão no poder.
Num conflito armado não existe
certo ou errado.
É um conflito armado, então,
armas serão usadas, inocentes e culpados serão sacrificados a sangue frio.
Muitos dos soldados que lutam não
têm preparo para sua missão e sentem-se poderosos com um rifle nas mãos e acham
que podem tudo, assim como seus opressores faziam.
Esses rebeldes têm anos de fúria
contida. Perderam seus amigos e familiares para um regime déspota que torturava
e matava quem ousasse contestar, ou simplesmente pelo fato de estar no lugar
errado e na hora errada.
Crimes de guerra acontecem em
tempos de guerra, não importa quem está de que lado.
A Convenção de Genebra tenta impor algumas regras que são inúteis, pois quando a guerra eclode, não há códigos de honra nem compaixão. Há somente ódio, medo e desespero.
E o homem costuma ficar cego, surdo e mudo diante da violência e do desejo de vingança.
(Júlia Bellini)
(Texto publicado no Painel do Leitor do jornal Folha de São Paulo em 14/09/2011)

Oi Júlia, seu texto ficou ótimo e sobretudo imparcial. Parabéns por mais uma edição na Folha de São Paulo!
ResponderExcluirUm abração.
Ismael Luz