quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Haja coragem!


Fui convidada para uma festa de casamento.
Mas não fui convidada assim, assim.
Sabe quando você tem certeza que o casal quer a sua presença lá junto deles?
Eu tinha que ir e fiquei em pânico, pois sabia que a festa seria muito elegante.
Deus meu!
Com que roupa ir? Com que sapato? Com que bolsa?
O convite era individual, ou seja, eu não poderia levar alguém comigo e teria de entrar sozinha num ambiente ao qual não estava acostumada, sem conhecer alma viva além do casal.
Vocês aí, mulheres sem parceiros, sabem exatamente do que estou falando, não sabem?
Aí a minha muito fértil imaginação começou a trabalhar sem parar:
Eu sentada a uma mesa com dois ou três casais e todos me olhando com aquele ar de “pobrezinha...está sozinha”.
Isso me deu um pânico tão grande que por pouco não tive que respirar num saquinho de papel para me acalmar.
Então eu pensei: “Não vou. Vou dar uma desculpa. Vou “matar alguém” ou “ficar muito doente”.
E pensei também que nessas horas, um homem faz falta.
Alguém para lhe dar o braço como apoio, que puxe a cadeira para você sentar, mesmo que depois fique lá parado que nem um “dois de paus”, completamente sem assunto.
Quando tenho que me vestir sozinha e o zíper fica atrás do vestido, também um homem faz falta.
Quando alguma coisa quebra em casa, uma torneira, um eletrodoméstico, um chuveiro que queimou, um homem faz falta.
Mas aí, de repente me dou conta que preciso é de um costureiro, um eletricista, um encanador, um pedreiro e de um par.
Se eu realmente precisasse de alguém para ir comigo àquela festa, eu simplesmente poderia chamar um amigo, ou amiga ou alguém da minha família, ou até mesmo contratar um pacote completo: um acompanhante bem distinto (se é que se encontra isso por aí mesmo pagando), fazer bonito por lá e depois ele até poderia me prestar outro tipo de serviço, que viria bem a calhar.
Então, me encho de coragem e vou ao casamento, sozinha.
Chego toda arrumada, elegante, desço do carro, olho o ambiente tão requintado, respiro fundo, levanto a cabeça e entro como se estive indo a caminho da bastilha para ser decapitada: morrendo de medo, mas com cara de paisagem.
À porta, uma cerimonialista me cumprimenta e me encaminha para o salão onde estão os convidados.
Eu subo as escadas, rezando para não tropeçar no vestido longo e quebrar o salto da sandália, coisas com as quais não tenho a menor intimidade.
Enfim chego ao salão.
Altiva e fingindo estar totalmente à vontade, me aproximo de uma senhora com ares de simpatia.
Começamos uma conversa e ela me aponta uma cadeira vazia ao lado de dois homens muito bem vestidos em seus ternos sofisticados.
Eu caminho até eles e pergunto se a cadeira está reservada para alguém e um deles muito educadamente responde que posso me sentar.
Após alguns segundos ele me pergunta alguma coisa, e iniciamos uma conversa agradável.
De repente, no meio da conversa, vindo do nada, ele me diz:
“Sabe, há muitas pessoas bem vestidas aqui hoje, mas você está realmente muito elegante”.
Na hora me lembrei do artigo que escrevi no meu blog - “Elogio” - e para não contradizer o meu próprio conselho, consegui responder:
“Muito obrigada. É muita gentileza sua.”
Depois disso me senti firme e segura para curtir a cerimônia de casamento e a festa que foi simplesmente o máximo!
Agora eu cheguei onde queria.
Não era o fato de estar sozinha num evento que me aterrorizava e nem era a falta de um homem ao meu lado que me fazia sentir desprotegida.
O que me preocupava, era o que as pessoas iriam pensar.
Eu temia que achassem que eu não sou uma pessoa atraente em todos os sentidos: fisicamente por não ser mais tão jovem e intelectualmente, por achar que eu não teria assuntos interessantes para conversar.
Engano total: eu estava elegante e pude participar de todas as conversas a minha volta sobre assuntos diversos.
Agora eu pergunto: pode uma mulher do alto de seus 50 anos ainda estar preocupada com o que os outros vão pensar a seu respeito?
O problema não é estar sozinha, e sim a infeliz insegurança que nos faz sentir frágeis como se ainda tivéssemos 15 anos e fôssemos totalmente inexperientes na vida.
Então resolvi prometer a mim mesma, que nunca mais vou me privar de fazer algo imaginando o que os outros vão pensar.
E... homens, não me entendam mal, não é que eu não queira um de vocês ao meu lado, mas existe uma grande diferença entre um Homem e um homem, se é que vocês me entendem.
Por isso, resolvi mudar um ditado popular:
Ao invés de, “antes só do que mal acompanhada”, eu prefiro “antes bem acompanhada do que só”.
(Júlia Bellini)

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